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Oftalmo Estância - Clínica de olhos


Ceratocone - Saiba mais sobre essa doença

Ceratocone - Saiba mais sobre essa doença

O Ceratocone é uma doença não inflamatória da córnea caracterizada por afinamento progressivo e protrusão em formato de cone levando a déficit visual.

Com que frequência ocorre?

Geralmente ocorre em crianças, adolescentes e adultos jovens. A prevalência reportada na população geral varia nos estudos de 50 a 230 a cada 100.000. Não existe diferença na incidência entre os sexos.

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Quais são os principais fatores de risco?

- História familiar de ceratocone (é positiva em 6-8% dos casos de ceratocone)

- Pessoas com muito prurido ocular

- Doenças sistêmicas – síndromes genéticas: Síndrome de Down, Ehlers Danlos e osteogênese imperfeita

- Doença atópica (rinite, alergias) e asma

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Quando suspeitar?

- Adolescentes ou adultos jovens com borramento visual.

- Dificuldade de enxergar com a correção visual atual ou alteração muito frequente do grau de miopia e astigmatismo.

- Fotofobia e embaçamento visual que podem ser assimétricos.

- Alergia ocular em paciente jovem.

- Dificuldade de atingir boa visão no exame oftalmológico.

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Como é feito o diagnóstico?

História e exame clínico:

- Astigmatismo que aumenta progressivamente, deficiência visual, alterações corneanas, histórico familiar, queixas de fotofobia, visão borrada, coceira, entre outros.

Exames complementares:

- Topografia ou tomografia corneana que demonstram astigmatismo irregular e assimétrico, Paquimetria e microscopia alterados, entre outros.

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Quando adaptar lentes de contato?

Nos primeiros estágios da doença o paciente ainda tem boa visão com os óculos. Conforme o ceratocone progride e o astigmatismo irregular aumenta, as lentes de contato podem se tornar necessárias para melhorar a visão.

As lentes de contato rígidas gás permeáveis são as lentes mais comumente usadas no ceratocone. Pacientes intolerantes ao uso de lentes rígidas podem ser candidatos ao uso de lentes de contato esclerais (lentes de diâmetro grande, que não tem movimento nos olhos e não tocam a córnea, se tornando mais confortáveis).

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Quando fazer crosslinking?

O crosslinking de colágeno é um procedimento que utiliza riboflavina e luz ultravioleta para aumentar a rigidez da córnea e é recomendado nos ceratocones ou ectasias pós-cirúrgicas progressivos. Não é recomendado em doenças estáveis.

O objetivo do procedimento é evitar a progressão da doença. Exames seriados devem ser realizados para haver comprovação da evolução da doença.

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Quando fazer anel intracorneano?

O implante de anel intraestromal pode ser feito sozinho ou combinado com o crosslinking.

O objetivo é melhorar a acuidade visual reduzindo o astigmatismo. Essa cirurgia é uma alternativa ao uso de lentes ou óculos, e é opcional ao paciente.

Muitos autores já relataram aplanamento da córnea e melhora significativa dos erros refrativos. Geralmente não é utilizado em cones mais avançados ou com córneas muito finas.

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O que acontece na história do ceratocone?

O astigmatismo pode aumentar progressivamente piorando a qualidade visual do paciente e limitando suas atividades diárias.

Com a evolução da doença, a córnea pode ir afinando ao ponto de entrar liquido de dentro do olho em seu interior, causando uma opacidade central, isso se chama HIDROPSIA. Os casos de hidropsia geralmente resolvem espontaneamente em 2 a 4 meses, porém o paciente pode ter desconforto e baixa visão durante esse tempo.

Faltam evidências sobre um tratamento eftivo. Alguns utilizam oclusão com pressão, lentes de contato terapêuticas e colírios para reduzir o edema, a dor e a inflamação. A injeção de gás intracameral pode diminuir o tempo de resolução mas não muda o desfecho em termos de acuidade visual e necessidade de transplante de córnea.

Após o episódio a córnea fica com uma cicatriz, que pode aplanar a córnea e assim reduzir o cone, porém a visão fica prejudicada.

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Quando fazer transplante de córnea?

O transplante de córnea é o procedimento de escolha quando as lentes de contato já não ajudam na visão ou não ficam mais bem adaptadas no paciente, a doença evoluiu a ponto de ter opacidade corneana já na consulta inicial ou mesmo com o tratamento de crosslinking, que não funciona para 100% dos casos. Aproximadamente 10-15% dos pacientes com ceratocone irão necessitar de ceratoplastia.

O transplante penetrante ainda é o mais comumente utilizado porém hoje existe o transplante lamelar, que troca somente as camadas mais superficiais da córnea. Os estudos demonstram sucesso em torno de 80-90% em pacientes com essa evolução do ceratocone e acuidade visual igual ou melhor que 20/40. Desses, 15% têm essa visão sem correção, 40% com óculos e 26% com lentes de contato.

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Referências bibliográficas:

Wessam MM. Keratoconus-The Hole Story, FRCS

Wayman LL. Keratoconus Jacobs DS, ed. UpToDate. Waltham, MA

Nema HV. Gems of Ophthalmology - Cornea and Sclera, ed. Medical Pub JB, London, EM


Saiba mais sobre a Dra. Daniela Roehe

  • Natural de Porto Alegre / RS
  • Médica formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul / UFRGS (1999)
  • Residência médica em Oftalmologia no Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre
  • Especialização em Cirurgia de Catarata e Segmento Anterior no Hospital de Olhos do Paraná
  • Especialização em Glaucoma no Hospital de Clínicas de Porto Alegre
  • Especialização em Córnea no Hospital de Olhos de Pernambuco
  • Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
  • Sócio Titular da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato e Córnea
  • Sócio da Sociedade Brasileira de Glaucoma
  • Clique aqui e Veja meu Currículo Lattes!
Dra. Daniela Roehe